Conectorização em cabos de par trançado

A “conectorização”, procedimento também conhecido como “terminação” ou “crimpagem”, é o processo de conexão da extremidade um cabo de par trançado a um hardware de conexão. E o hardware de conexão é, por sua vez, um “componente ou combinação de componentes usados para conectar cabos ou elementos do cabo”, conforme a norma NBR 14565, ou seja, é um patch panel, tomada (conector fêmea – jack) ou plugue (conector macho).

Exemplos de hardware de conexão:

Plugue RJ45
Tomada RJ45
Patch Panel RJ45

Em outras palavras, conectorização é o ato de montarmos o cabo UTP (ou cabo blindado) em uma tomada ou plugue RJ45, ou em um patch panel com portas RJ45. Quando não é em conectores do tipo RJ45, é em blocos (ex.: tipo 110) ou em conectores específicos para as categorias 7, 7A ou 8.2 (ex.: Tera e GG-45).

Bloco Tipo 110
Conectores Tera e GG-45

Tecnicamente, o termo correto para o conector RJ45 é “conector modular de oito posições e oito contatos”, ou simplesmente 8P8C. O termo RJ45, onde RJ significa registered jack – tomada registrada, é um tipo de conector padronizado nos EUA para a conexão de redes telefônicas. O conector RJ45 atual (8P8C) para cabeamento estruturado foi baseado nessa tomada padrão.

A conectorização UTP sempre é realizada com algumas ferramentas, como decapadores de cabos, alicates de corte, ferramentas de impacto (punch down), alicates de “crimpe” ou outros tipos de ferramenta para o auxílio na conexão dos fios. As ferramentas exatas devem ser determinadas pelo fabricante do hardware de conexão. Portanto, é sempre necessário obtermos o manual de instalação do produto do fabricante correspondente.

Porém, antes de qualquer conectorização, temos que determinar qual a configuração de terminação (também conhecido como “pinagem”) que usaremos nas tomadas e plugues. A NBR 14565 reconhece duas configurações (T568A e T568B) para as categorias 5e, 6, 6A e 8.1, e mais duas configurações específicas para as categorias 7, 7A e 8.2 (conforme o tipo de conector utilizado, similares ao Tera ou ao GG-45). Qualquer que seja a configuração escolhida, ela deve ser mantida em toda a instalação.

Cometer um erro na manutenção da configuração de terminação em um enlace pode ocasionar erros de transmissão de rede, dependendo do padrão utilizado.

Veja este vídeo que fiz sobre um caso real de lentidão na rede ocasionado por erro de pinagem:

Também é essencial conhecermos o código de cores utilizado nos cabos de par trançado de quatro pares:

Número do parCorT568AT568B
1Branco e azul
Azul
5
4
5
4
2Branco e laranja
Laranja
3
6
1
2
3Branco e verde
Verde
1
2
3
6
4Branco e marrom
Marrom
7
8
7
8

Se algum equipamento requerer uma conexão “crossover” (ou outra qualquer), deve-se realizar a troca de posição dos condutores nos patch cords, e não no enlace permanente.

Cuidado na escolha do hardware de conexão correto para o tipo de cabo de par trançado utilizado. Além de verificar se a categoria do conector é a mesma do cabo, verificar a necessidade por blindagem e se o conector é próprio para condutores sólidos (presentes nos cabos “permanentes” ou “horizontais”) ou flexíveis (presentes nos patch cords).

A preparação para a conectorização inclui a decapagem do cabo de par trançado. A quantidade de cabo a ser decapado depende das instruções específicas do fabricante da solução de cabeamento, mas deve sempre permitir um comprimento mínimo de exposição dos pares. Pares muito expostos (entre o término da capa e a entrada do conector) permitem que eles se dobrem ou tenham seu trançamento alterado, afetando o desempenho do canal.

Neste vídeo, mostro como decapar um cabo U/UTP Cat.6A:

Especial atenção deve ser dada às soluções blindadas. Cabos blindados devem sempre ser conectorizados a hardware de conexão blindado, e o processo de decapagem de um cabo blindado deve permitir a exposição de sua blindagem de forma a permitir seu correto contato com a blindagem do conector.

Após a inserção dos pares nos locais apropriados para terminação, deve-se destrançá-los o mínimo possível, e nunca mais do que 13 mm (para as categorias 5e e superiores), conforme a NBR 14565. Usualmente, quanto maior a categoria da solução, menor o destrançamento permitido. O ponto correto de inserção dos pares no conector, seu encaminhamento por dentro dele, e a forma correta de seu destrançamento devem ser dados pelo fabricante desse conector.

Exemplo de montagem de uma tomada categoria 6 do fabricante Panduit:

Exemplo de montagem de uma tomada categoria 6 do fabricante CommScope:

Independentemente do modelo de conector utilizado, a conexão dos condutores do cabo ao hardware de conexão deve seguir a técnica IDC (Conexão por deslocamento do isolante – Insulation Displacement Connection). Nessa técnica, os condutores não devem ser previamente decapados, o que, além de consumir tempo, permite a exposição do cobre à oxidação, causando problemas de contato no futuro. A técnica IDC faz com que os condutores sejam “empurrados” (com o auxílio de alguma ferramenta) por uma ranhura metálica, que cortará o isolamento e fará o contato elétrico, sem deixar o cobre exposto. Cuidado, pois os contatos IDC para condutores sólidos são diferentes daqueles para condutores flexíveis, como já ressaltado. Diagrama de uma conexão IDC:

A ferramenta correta a ser utilizada para a conexão final dos condutores no hardware de conexão também deve ser informada por seu fabricante. Se for uma ferramenta de impacto (punch down), deve-se consultar com o fabricante do conector qual a força de impacto e ponteira corretos para o modelo de conector utilizado. Abaixo, exemplo de uma ferramenta de impacto com ponteira para conexão IDC tipo 110 e, logo em seguida, vídeo sobre essa ferramenta:

Geralmente, será necessária a instalação de algum acessório para acabamento do hardware de conexão, como uma tampa de proteção, moldura, trava ou ícone de identificação.

Exemplo de montagem de um patch panel categoria 6 do fabricante Nexans:

Após a conectorização dos enlaces de uma instalação, é necessário realizar testes para se ter a certeza de que o processo foi feito corretamente, sem prejuízo no desempenho da rede. Equipamentos específicos são utilizados nessa fase, que podem realizar desde simples testes de continuidade elétrica nos pares até testes completos nos parâmetros de transmissão, podendo emitir relatórios de certificação, com a comparação dos resultados a normas selecionadas.

Conheça este equipamento da Fluke que realiza testes de certificação em cabos de par trançado e fibra óptica:

Observar o formato externo de tomadas que serão instaladas em espelhos, mobiliário e caixas de piso. Embora as dimensões internas de uma tomada RJ45 fêmea sejam padronizadas, suas dimensões externas não o são. Consultar o fabricante sobre a compatibilidade de encaixe de sua tomada com demais produtos que serão utilizados como suporte. Muitas vezes será necessária a aquisição de suportes ou adaptadores específicos.

Existe o padrão de facto de tomada do tipo “keystone”, e vários fabricantes possuem tomadas compatíveis com esse padrão externo de encaixe. Outros formatos são proprietários, exigindo suportes fornecidos pelo próprio fabricante da tomada.

E como última orientação, ao instalar tomadas RJ45 em espelhos de parede, deve-se posicioná-las de forma que o patch cord se encaixe com sua trava voltada para baixo.

Exemplo de montagem de um plugue RJ45 categoria 6A do fabricante Panduit:

Exemplo de montagem de uma tomada RJ45 categoria 6A do fabricante Panduit:

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Marcelo Barboza, RCDD, DCDC, NTS, ATS, DCS Design, Assessor CEEDA
Clarity Treinamentos
marcelo@claritytreinamentos.com.br

Sobre o autor
Marcelo Barboza, instrutor da área de cabeamento estruturado desde 2001, formado pelo Mackenzie, possui mais de 30 anos de experiência em TI, membro da BICSI e da comissão de estudos sobre cabeamento estruturado da ABNT/COBEI, certificado pela BICSI (RCDD, DCDC e NTS), Uptime Institute (ATS) e DCPro (Data Center Specialist – Design). Instrutor autorizado para cursos selecionados da DCProfessional, Fluke Networks, Panduit e Clarity Treinamentos. Assessor para o selo de eficiência para data centers – CEEDA.

A categoria 8 e o Ethernet a 40 Gb/s

As categorias de cabeamento de par trançado são bem conhecidas, desde a categoria 5e até a 6A. Menos conhecidas são as categorias 7 e 7A, inexistentes nas normas norte-americanas (ANSI/TIA) e pouco utilizadas no país. Mas, e quanto à categoria 8, já tinha ouvido falar?

Pois é, a categoria 8 de componentes de cabeamento de par trançado já foi normatizada há alguns anos, estando presente tanto nas normas internacionais (ISO/IEC) quanto nas norte-americanas (ANSI/TIA). E, a partir de meados de 2019, também em nossa norma nacional ABNT/NBR 14565 (veja abaixo meu vídeo realizado na época da publicação dessa revisão da norma).

E qual a finalidade da categoria 8? Permitir aplicações Ethernet de velocidades 25 Gb/s e 40 Gb/s em enlaces de par trançado nas instalações de data centers. No entanto, a Cat.8 é a única que prevê um canal de no máximo 30 metros, diferente das outras categorias, que permitem canais de até 100 metros de extensão.

E tem mais: a Cat.8 prevê um canal de somente duas conexões, uma em cada extremidade, no início e no fim do enlace permanente. O enlace permanente deve ter até 24 metros de cabo com condutores sólidos. O canal de 30 metros é obtido com a conexão de patch cords de até 3 metros em cada extremidade.

Canal categoria 8

Um canal de somente 30 metros seria viável em um data center? Sim, pois a ideia do Cat.8 é a de ser uma opção à fibra óptica em conexões de até 40 Gb/s dentro de uma mesma fileira de racks/gabinetes. A maioria das fileiras tem menos que 30 metros. Então a Cat.8 acaba sendo uma opção de solução mais econômica (quando se leva em consideração também o custo dos equipamentos ativos) para links “intra-fileira”, desde que a velocidade não passe de 40 Gb/s.

Fileira de racks em um data center

A frequência máxima de transmissão de sinais sobre a Cat.8 é de 2000 MHz (ou 2 GHz), o dobro da categoria anterior, a Cat.7A, que é de 1000 MHz. Veja a tabela com todas as frequências suportadas pelas diferentes categorias de componentes:

CategoriaFrequência
Máxima (MHz)
Blindagem
5e100Opcional
6250Opcional
6A500Opcional
7 (ISO)600Sim
7A (ISO)1000Sim
8 (TIA) e 8.1 (ISO)2000Sim
8.2 (ISO)2000Sim
Tabela de categorias e respectivas frequências de sinal

Só que existem alguns “detalhes”… A norma ISO/IEC reconhece duas categorias de componentes: 8.1 e 8.2. A norma ANSI/TIA reconhece apenas a categoria 8, equivalente à categoria 8.1 da ISO. E quais as diferenças? Veja essa tabela abaixo:

Categoria dos componentesCateg. TIAClasse ISOComprimento máximo (m )Qtd. máxima de conexões (*)Tipo de conector
5e5eD1004RJ45
66E1004RJ45
6A6AEA1004RJ45
7F1004Tera/GG45
7AFA1004Tera/GG45
8 (TIA) ou 8.1 (ISO)8I302RJ45
8.2 (ISO)II302Tera/GG45
Tabela de categorias de componentes e canais

Na tabela acima, você vê que as categorias 8 da ANSI/TIA e 8.1 da ISO/IEC utilizam conectores modulares de 8 contatos/8 posições (mais conhecidos como RJ-45), enquanto a categoria 8.2 utiliza os mesmos tipos de conectores que já tinham sido definidos para as categorias 7 e 7A (só que para 2000 MHz), sendo que os principais são o Tera (da Siemon) e o GG45 (da Nexans).

Exemplos de conectores Tera e GG-45

Outra diferença está na blindagem. A blindagem utilizada nos cabos Cat.8 e 8.1 geralmente é do tipo F/UTP ou U/FTP, enquanto a utilizada no 8.2 é do tipo S/FTP ou F/FTP (veja mais sobre os padrões de blindagem em meu vídeo abaixo)

Exemplos de cabos blindados

Um canal construído com componentes da categoria 8.1 é chamado de Classe I pela ISO, enquanto aquele construído com componentes categoria 8.2 é chamado de Classe II. A norma ANSI/TIA chama o canal com componentes Cat.8 também de categoria 8.

O padrão de rede Ethernet para 40 Gb/s em par trançado é o 40GBASE-T, enquanto o padrão para 25 Gb/s é o 25GBASE-T, ambos definidos na norma IEEE 802.3bq-2016, e utilizam todos os quatro pares do cabeamento (para saber mais sobre a nomenclatura utilizada para as interfaces Ethernet, veja este meu vídeo abaixo).

Todos os principais fabricantes de cabeamento já possuem soluções Cat.8, mas sua utilização ainda é bem restrita.

Eu fiz um vídeo sobre a Cat.8 e o 40GBASE-T. Confira:

Para saber mais sobre as categorias de cabos e os parâmetros de transmissão que os definem, confira meu curso SCE331.

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Marcelo Barboza, RCDD, DCDC, NTS, ATS, DCS Design, Assessor CEEDA
Clarity Treinamentos
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Sobre o autor
Marcelo Barboza, instrutor da área de cabeamento estruturado desde 2001, formado pelo Mackenzie, possui mais de 30 anos de experiência em TI, membro da BICSI e da comissão de estudos sobre cabeamento estruturado da ABNT/COBEI, certificado pela BICSI (RCDD, DCDC e NTS), Uptime Institute (ATS) e DCPro (Data Center Specialist – Design). Instrutor autorizado para cursos selecionados da DCProfessional, Fluke Networks, Panduit e Clarity Treinamentos. Assessor para o selo de eficiência para data centers – CEEDA.